CÍRCULO BÍBLICO: 4º Domingo da Páscoa – Ano B

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 1ª Leitura: At 4,8-12

2ª Leitura: 1Jo 3,1-2

Evangelho: Jo10,11-8

                                                                                            

COMENTÁRIO

O Bom Pastor dá sua vida

O tema central da liturgia de hoje (evangelho) é a alegoria do Bom Pastor (como sempre no 4° domingo pascal). Na primeira parte da alegoria, lida no ano A, João comparou Jesus com a porta do redil, porta pela qual entra o pastor e pela qual sai o rebanho conduzido pelo pastor. Quem não entra pela porta que é Jesus não é pastor, mas assaltante. Na segunda parte, lida hoje, Cristo é o próprio pastor, em oposição aos mercenários. Os mercenários não dão sua vida pelo rebanho. Jesus, sim. Todo mundo entende esta comparação. O sentido é obvio: Jesus deu, na cruz, sua vida por nós. Para João, porém, ela esconde um sentido mais profundo: a vida que Jesus dá não é apenas a vida física que ele perde em nosso favor, mas a vida de Deus que ele nos comunica. Esta ideia constitui a ligação com a imagem precedente (a porta): em Jo 10,10b, Jesus diz que ele veio para “dar a vida”, e dá-la em abundância; e continua, em 10,11, apontando sua própria vida como sendo esta vida em abundância que ele dá. Nos v. 17-18 aparece, então, que ele dá essa vida com soberania divina, doando-se por nós, nos faz participar da vida divina, porque entramos na comunhão do amor de Jesus e daquele que o enviou.

A vida que Jesus nos dá é o amor do Pai, que nos faz viver verdadeiramente e nos torna seus filhos. Já agora temos certa experiência disso, a saber, na prática deste amor que nos foi dado. Mas essa experiência é ainda inicial; manifestar-se-á plenamente quando o Cristo for completamente manifestado na sua glória: então, seremos semelhantes a ele. Desde já, nossa participação desta vida divina nos coloca numa situação à parte: na comunidade do amor fraterno, que o mundo não quer conhecer e, por isso, rejeita. É a “diferença cristã”.

Porém, a diferença cristã não é fechada, mas aberta. É uma identidade não autossuficiente, mas comunicativa. João insiste várias vezes neste ponto: Jesus é a vítima de expiação dos pecados não só de nós, mas do mundo inteiro; Jesus tem ainda outras ovelhas, que não são “deste redil”. O amor, que é a vida divina comunicada pelo Pai na doação do Filho, verifica-se na comunidade dos fiéis batizados, confessastes e unidos. Mas não se restringe a essa comunidade. Não só porque existem outras comunidades, mas porque a salvação é para todos.

A atuação dos primeiros cristãos em Jerusalém (1ªleitura) deve ser entendida neste mesmo sentido. Formam uma comunidade que, sociologicamente falando, pode ser caracterizada como seita. Porém, não é uma seita autossuficiente, mas transbordante de seu próprio princípio vital, o “nome” de Jesus Cristo. Quando um aleijado, na porta do templo, dirige a Pedro seu pedido de ajuda, este comunica-lhe o “nome” de Jesus. Daí se desenvolve todo um testemunho. Este testemunho leva à intervenção das autoridades, sempre desconfiadas dos pequenos grupos testemunhantes. Pedro e João são presos e levados diante do Sinédrio, que pergunta em que nome eles agem assim. “No nome de Jesus Cristo Nazareno, crucificado por vós, mas ressuscitado por Deus … Em nenhum outro nome há salvação, pois nenhum outro nome foi dado sob o céu por quem possamos ser salvos”. “A vida eterna é esta: que te conheçam … e àquele que tu enviaste”. É essa a conclusão do sinal do aleijado da Porta Formosa: a cura que lhe ocorreu significava a “vida” em Jesus Cristo. Esta deve também ser a conclusão de todo agir cristão no mundo: dar a vida de Cristo ao mundo, pelo testemunho do amor. Tal testemunho convida a participar do amor do qual Jesus nos fez participar, dando sua vida “por seus amigos”. Isto é pastoral.

.Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

 

MENSAGEM

O pastor, os pastores e a pastoral

O evangelho traz as palavras de Jesus sobre o “bom pastor” (Jo 10,11-18) e a 1ª leitura (At  4,8-12) nos mostra o primeiro pastor da jovem comunidade cristã, Pedro, defendendo o rebanho perante o supremo conselho dos judeus em Jerusalém. Dois exemplos de pastores que põem em jogo sua vida em prol de suas ovelhas. Por isso, também, este domingo é o domingo das vocações “pastorais”.

Antes, porém, de assimilar a mensagem destas leituras é preciso deslocarmo-nos para as estepes da Judéia, para imaginar o que significa a imagem do “pastor”. O povo de Judá era, tradicionalmente, um povo de pastores de ovelhas e cabras. Assim, por exemplo, o rei Davi foi chamado de detrás do rebanho para ser rei de Judá e Israel. Ora, havia pastores proprietários, para quem o rebanho era seu sustento, e assalariados, que não se importavam muito com o rebanho…. Todo judeu conhecia a história de Davi, que, para salvar o rebanho de seu pai Jessé, correu risco de vida enfrentando um leão (1 Sm 17,34-37). E conheciam-se também as advertências proféticas contra os maus pastores de Israel (os reis e chefes) que se engordavam às custas das ovelhas em vez e de conduzi-las à pastagem (Ez 34,2 etc.).

O pastor “certo” é Jesus, diz  Jo 10,11. Ele conduz as ovelhas com segurança, dando a vida por elas, pois são pedaços de seu coração, à diferença dos assalariados, que fogem quando se apresenta um perigo: um leão, um lobo… Jesus é o pastor de verdade, o Messias, o novo Davi e muito mais! Ele dá a vida pelas ovelhas. O caminho pelo qual conduziu as ovelhas foi o do amor até o fim. Ele deu o exemplo. Sua vida certamente não esteve em contradição com sua “pastoral”, como acontece com outros.

O que é pastoral? Não é chefia e organização. É conduzir, no amor demonstrado por Jesus, aqueles que viram nele resplandecer a vida e a salvação. Os que escutam sua voz. Pastoral é evangelização continuada, é fidelidade à boa-nova proclamada. Assim como a “pastoral” de Jesus, talvez exija fidelidade até a morte (desde Tiago e Pedro até Dom Oscar Romero e os demais mártires de hoje). Os pastores têm de identificar-se com Jesus, que dá a vida pelos seus.

Quem são as ovelhas? São os que seguem a voz do pastor. Mas não só os que participam da Igreja de modo organizado. A organização da comunidade não é o último critério para a missão pastoral. Diante dos discípulos que eram de origem judaica, Jesus declarou: “Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste rebanho” (Jo 10,16). A pastoral tem uma dimensão missionária que ultrapassa os integrados e organizados!

E quem são os pastores? Há pastores constituídos, os que participam do sacramento da Ordem (bispos, presbíteros, diáconos). Mas, como o Espírito sopra onde quer, a vocação pastoral pode estender-se além desses limites. Cada um pode ser um pouco “pastor” de seu irmão. Até os serviços que a Igreja anima para a transformação da sociedade são chamados de pastorais (“pastoral da terra”, “da mulher marginalizada”, “dos direitos humanos” etc.). O que importa é que os agentes pastorais assumam o empenho da própria vida na linha de Jesus e de seu testemunho de amor. Que sejam “bons pastores”, amando a Cristo e a seus irmãos de modo radical, dando a vida por eles. Que não usem as ovelhas para ambições eclesiásticas ou políticas. Que não sejam traiçoeiros. Que transmitam a seus irmãos o carinho de Deus mesmo.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

MENSAGEM DE FRANCISCO DE ASSIS          

Fragmentos de outra Regra não Bulada

17 E o adoremos de coração puro, “porque é preciso orar sempre e não cessar” (Lc 18,1); “pois os Pai busca” tais adoradores (cfr. Jo 4,23). 18 “Deus é espírito, e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade” (Jo 4,24). 19 E recorramos a ele como “ao pastor e bispo das almas” (1Pd 2,25) nossas, que diz: “Eu sou o bom pastor” (Jo 10,11) …: “dou a minha alma pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15). 20 “Todos vós sois irmãos e não chameis a ninguém de pai sobre a terra” (Mt 23,8-9) …21 Não “vos chameis de mestres” (Mt 23,10) …

MENSAGEM DAS CONSTITUIÇÕES 

CCGG Art. 102

  1. As Fraternidades eretas em uma Igreja paroquial procurem cooperar na animação da comunidade paroquial, da liturgia e das relações fraternas; integrem-se na pastoral de conjunto com preferência pelas atividades mais conformes com a tradição e a espiritualidade franciscana secular.
  2. Nas paróquias confiadas a religiosos franciscanos as Fraternidades constituem, no exercício de fecunda reciprocidade vital, a mediação e o testemunho secular do carisma franciscano na comunidade paroquial. Por isso, cuidam, unidos aos religiosos, de difusão da mensagem evangélica e do estilo de vida franciscano.

 

PARA REFLETIR

                Vamos refletir a partir destas frases retiradas dos textos acima: “O agir cristão no mundo deve ser uma forma de dar a vida de Cristo ao mundo, pelo testemunho do amor. Isto é pastoral. Pastoral é evangelização continuada, é fidelidade à boa-nova proclamada.”

  1. Mesmo sabendo que a OFS não é uma pastoral, devemos ter uma atitude pastoral e participar de pastorais de nossa paróquia. De que modo devemos fazer isso, baseados na mensagem de Francisco e das CCGG acima?

 

ORAÇÃO FINAL

Salmo 22(23)

1.O Senhor  é o meu pastor. Nada me falta.

2.Em verdes pastagens me faz repousar; para fontes tranquilas me conduz,

3.e restaura as minhas forças. Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome.

4.Embora eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois estás junto a mim; o teu bastão e o teu cajado deixam-me tranquilo.

5.Diante de mim preparas a mesa, à frente dos meus opressores; unges a minha cabeça com óleo, e a minha taça transborda.

6.Sim, felicidade e amor me acompanham todos os dias da minha vida. A minha morada é a casa do Senhor, por dias sem fim.

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