Círculo Bíblico: 5º DOMINGO DE PÁSCOA – Ano B

5o DOMINGO DE PÁSCOA – Ano Bcírculo_bíblico_ofs

1ª Leitura: At 9,26-31

2ª Leitura: IJo 3,18-24

Evangelho: Jo 15,1-8 –  

                                                                                            

COMENTÁRIO

Cristo a Videira, nós os ramos

No A.T., a “vinha de Javé” era Israel. Mas não produziu seu fruto. O NT traz uma parábola de Jesus, dizendo que foram os vinhateiros que não quiseram dar a devida parte do produto ao proprietário; este, depois de ter mandado servos, enviou finalmente seu próprio filho, mas os vinhateiros o mataram, e a vinha foi dada a outros arrendatários. Assim, a vinha se tornou imagem do novo povo de Deus. É nesse sentido que Jo recorre à imagem da videira (evangelho). Decerto, ela se aplica em primeiro lugar a Jesus mesmo: “A verdadeira videira sou eu”(em oposição à videira provisória ou tipológica, que era Israel). Mas trata-se de Jesus unido aos seus: naqueles que estão unidos a  ele é que Jesus produz os frutos que glorificam o Pai, os frutos da caridade (cf. próximo domingo).

Além da idéia principal – produzir frutos pela união vital com Cristo -, encontramos também algumas aplicações secundárias da imagem: a poda, que significa a purificação pela palavra de Cristo, pela opção que esta nos impõe; ou, no caso dos ramos secos, a condenação.

Em que  consiste essa união vital com Cristo? Em permanecer em sua palavra, o mandamento do amor fraterno. É o “amar, não só com palavras, mas em atos e verdade”, de que fala a 2ª leitura. Esse “amor eficaz” faz com que reconheçamos que “somos da verdade” e tenhamos paz em nosso coração. Para João, a verdade se mostra em gestos concretos. Com seu estilo associativo, Jo passa a outra idéia: se  nosso coração não tem paz, mas nos condena, que fazer então? Então devemos crer que Deus é maior que nosso coração. Se nosso coração nos acusa, devemos confia-lo a Deus: conversão. E se não nos acusa, podemos viver da comunhão com Deus, pedindo o que um filho pode pedir do Pai (1Jo 3,22; cf. Jo 15,7).

Na 1ª leitura continua a história da primeira comunidade cristã. Traz o relato de Lucas referente às primeiras atividades apostólicas de Paulo, seu contato com os apóstolos de Jerusalém, mediante Barnabé, suas discussões com os judeus do helenismo (Paulo e Barnabé eram judeu-helenistas), sua missão a Tarso. Na Carta aos Gálatas, Paulo descreve este período, dizendo que “viu” somente a Pedro; mas isso não contradiz o que Lc aqui escreve. Quer dizer que Paulo só submeteu seus  planos ao chefe dos apóstolos, Pedro, e não está sob a jurisdição do chefe da igreja de Jerusalém, Tiago, para o qual apelam os “judaizantes”, que Paulo combate na carta. Podemos, portanto, dizer que, desde a sua primeira atividade, existe harmonia dos principais apóstolos em torno da missão de Paulo. A comunhão preconizada pela imagem da videira é uma realidade.

A liturgia de hoje oferece ensejo para realçar a unidade da “mesa da Palavra” e da “mesa eucarística”. A linguagem dos símbolos poderá visualizar que a “videira verdadeira” (cf. liturgia da Palavra) produziu, como primeiro de seus frutos, o “vinho da salvação”, ou seja, o sangue derramado na cruz (cf. liturgia eucarística). Os nossos frutos deverão ser da mesma natureza!

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

 

MENSAGEM

Jesus, a Videira, nós os ramos

Na liturgia dos domingos depois da Páscoa aprofundamos o mistério do Senhor Jesus glorioso, no qual transparece o amor do Pai, fonte do seu amor por nós e de nosso amor aos irmãos e irmãs. Isso fica claro de modo especial hoje, na parábola da “videira” (evangelho).

No Antigo Testamento, a vinha de Deus era o povo de Israel. Diz o profeta Isaías que Deus esperava dessa vinha frutos de justiça, mas só produziu fruto ruim (Is 5). Jesus mesmo contou uma parábola acusando, não a vinha, mas os administradores, porque não queriam  entregar ao “Senhor”(= Deus) a parte combinada e quiseram apropriar-se da vinha (= o povo), matando o “Filho” (= Jesus) (Mc 12,1-12). No evangelho de João, Jesus modifica um pouco essa imagem. Não fala numa plantação inteira, mas num pé de uva, uma videira. Ele mesmo é  essa videira. O Pai é o agricultor que espera bons frutos, e nós somos os ramos que devemos produzir esses frutos no fato de nos amarmos uns aos outros como Jesus nos amou. Pois Jesus recebeu esse amor do Pai, e o fruto que o Pai espera é que partilhemos esse amor com os  irmãos (cf. também próximo dom.).

”A vinha verdadeira sou eu”- Jesus, unido aos seus em união vital. Essa união consiste em que permaneçamos ligados a ele, atentos e obedientes à sua palavra, ao seu mandamento de amor fraterno. E também, unidos entre nós, pois todos os ramos da videira recebem sua seiva do mesmo tronco, que é Jesus. A 2ª leitura de hoje explica isso melhor: fala do amor eficaz, o amor que produz fruto, não só “em palavras”, mas “em ações e em verdade” (1Jo 3,18-24). Tal amor eficaz faz com que tenhamos certeza de sermos “da verdade”. Por isso podemos ter paz no coração, pois sabemos que Deus se alegra com os nossos “frutos” e vence o medo e a incerteza de nosso coração (= consciência), mesmo se este se inquieta por nossas imperfeições (3, 20-23). Deus é maior que nossos escrúpulos.

Esse modo de falar nos faz ver a Igreja de outra maneira. Já não aparece como um poder ao lado do poder político, como uma “organização”  burocrática, mas como um “organismo vivo” de amor fraterno. Na Igreja, Jesus e nós somos uma realidade só. Vivemos a mesma vida. Ele é o tronco, nós os ramos, mas é o mesmo pé de uva. Somos os produtores dos frutos de Jesus no mundo de hoje. Para não comprometermos essa produtividade, devemos cuidar de nossa ligação ao tronco, nossa vida íntima de união com Jesus, nossa mística cristã – na oração, na celebração e na prática da vida. Produzir os frutos da justiça e do amor fraterno e unirmo-nos a Cristo na oração e na celebração são os dois lados inseparáveis da mesma moeda. Não existe oposição entre a mística e a prática. Importa “permanecer em Cristo”. A Igreja ama Jesus, que ama os seres humanos até o fim, e por isso ela produz o mesmo fruto de amor. A Igreja vive do amor que ela tem ao amor de Jesus para o mundo.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

MENSAGEM DE FRANCISCO DE ASSIS          

1Cel – 89

1 Tendo recebido pouca ou nenhuma instrução no caminho do Senhor e em seu conhecimento desde a adolescência, passou algum tempo na ignorância natural e no ardor das paixões, mas foi justificado de seu pecado por uma intervenção da mão de Deus, e pela graça e virtude do Altíssimo foi cumulado com a sabedoria de Deus mais do que todos os homens que viveram em seu tempo.

2 Em meio do aviltamento não parcial mas geral em que jazia a pregação do Evangelho por causa dos costumes daqueles que o pregavam, ele foi enviado por Deus como os apóstolos, para dar testemunho da verdade em todo o mundo.

3 E foi assim que o seu ensinamento mostrou com evidência que a sabedoria do mundo era loucura, e em pouco tempo, sob a orientação de Cristo, mudou os homens para a sabedoria de Deus pela simplicidade de sua pregação.

4 Como um dos rios do paraíso, este novo evangelista dos últimos tempos irrigou o mundo inteiro com as fontes do Evangelho e pregou com o exemplo o caminho do Filho de Deus e a doutrina da verdade.

5 Nele e por ele, o mundo conheceu uma alegria inesperada e uma santa novidade: a velha árvore da religião viu reflorir seus ramos nodosos e raquíticos.

6 Um espírito novo reanimou o coração dos escolhidos e neles derramou a unção de salvação ao surgir o servo de Cristo como um astro no firmamento, irradiando uma santidade nova e prodígios inauditos.

7 Por ele renovaram-se os antigos milagres, quando foi plantada no deserto deste mundo, com um sistema novo mas à maneira antiga, a videira frutífera, que dá flores com o suave perfume das santas virtudes e estende por toda parte os ramos da santa religiosidade.

MENSAGEM DAS CONSTITUIÇÕES 

CCGG Art. 14

  1. Conscientes de que Deus quis fazer de todos nós um povo e de sua Igreja sacramento universal de salvação, empenhem-se os irmãos numa reflexão de fé sobre a Igreja, sobre a sua missão no mundo de hoje e sobre o papel dos leigos franciscanos nela, aceitando os desafios e assumindo as responsabilidades que esta reflexão lhes fará descobrir.

 

PARA REFLETIR

                Jesus a videira, nós os ramos … Francisco, imitador de Cristo, a videira, nós os ramos.”

  1. Como discernir sobre o nosso papel de leigos franciscanos e nossa missão no mundo de hoje? No seu entender, quais as prioridades de ação para nossa fraternidade?

ORAÇÃO  (CANTO) FINAL


Eu sou a videira Meu Pai é o agricultor

Vós sois os Ramos Permanecei no meu amor!

1.Para dar muitos frutos Permanecei no meu amor

Para dar amor puro       Permanecei no meu amor

Como ramos aos troncos   Permanecei em mim.

2.Para amar sem medida Permanecei no meu amor

Para dar vossas vidas  Permanecei no meu amor

Para ser meus amigos   Permanecei em mim.

3.Para ver o caminho   Permanecei no meu amor

Para ver a verdade     Permanecei no meu amor

Para ter sempre a vida Permanecei em mim.

4.Para ser sal da terra Permanecei no meu amor

Para ser luz do mundo   Permanecei no meu amor

Para ser testemunhas    Permanecei em mim.

5.Se vos dobra a tristeza Permanecei no meu amor

Se amargo é o pranto      Permanecei no meu amor

Se inquieta a tentação    Permanecei em mim.

6.Quando a noite é longa Permanecei no meu amor

Quando não há estrelas   Permanecei no meu amor

Se a morte vos chega     Permanecei em mim.

7.Quando a estrada é difícil Permanecei no meu amor

Quando o passo é impossível  Permanecei no meu amor

Quando treme a esperança     Permanecei em mim.

 8. Sem cansar ou desanimar Permanecei no meu amor

Sem amarras a segurar      Permanecei no meu amor

Sem temor, sempre a cantar Permanecei em mim.

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