Círculo Bíblico: ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR– ANO B

1ª Leitura: At 1,1-11         

2ª Leitura: Ef 1,17-23

Evangelho: Mc16,15-20

A PALAVRA E OS SINAIS DO SENHOR GLORIOSO

O evangelho de hoje é quase um resumo dos Atos dos Apóstolos. O Cristo glorioso, na hora de sua despedida, confia aos apóstolos a missão e já prediz aquilo que o livro dos Atos, de fato, descreve com relação a essa missão: o poder de Cristo acompanha seus discípulos na pregação. O texto insiste mais nos sinais que acompanham a palavra do que no conteúdo desta. Isso pode dar a impressão de um certo “sensacionalismo”.

Devemos ver isso com os olhos daquele tempo: os sinais prodigiosos confirmavam que “Deus estava com eles”. (Neste sentido, Mc 16,15-20 pode também ser considerado como uma explicitação das últimas palavras de Mt 28,20) O Senhor glorioso, estabelecido no “poder”, dá uma força incrível aos que pregam o seu “nome” (16, 17b; cf. At 3). Isso continua sendo verdade ainda hoje. O Senhor glorioso não deixa de dar força aos que se empenham pela pregação de seu Reino.

A evangelização hoje é acompanhada por sinais que causam tanta admiração quanto os “milagres” descritos em Mc 16,17-18: pessoas que conseguem livrar-se do vício, do fascínio do lucro; comunidades que se baseiam não na competição, mas na comunhão; apóstolos que parecem abolir as fronteiras humanas; pessoas que, sem serem complexadas, vivem o matrimônio (ou a virgindade) em fidelidade. Será que tudo isso é menos significativo do que pegar em cobras ou beber veneno?

O evangelho não depende de sinais. Mas, onde há fogo, sai fumaça: a presença do evangelho, por escondida que seja, não pode deixar de chamar a atenção. Transforma a realidade lá onde menos se espera.

A Ascensão de Cristo ao céu nos toma os encarregados da missão à qual ele, em sua glória, preside. Manifestamos o seu nome, e os sinais confirmam o seu “poder”, que se encarna na pregação do evangelho. O evangelho não deixa as coisas como estão.  Essa é a mensagem de hoje.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

“O SENHOR COOPERAVA COM ELES”

Depois da ressurreição, Jesus deixou sua missão terrena e subiu aos céus, confiando sua missão aos seus. E “o Senhor cooperava com eles” (evangelho). Depois da Páscoa, tudo mudou. Antes, Jesus era o profeta rejeitado; depois, ele apareceu entrando na glória do Pai – que assim mostrou aos discípulos que Jesus teve razão naquilo que ensinou e realizou. Antes, Jesus chamava os discípulos para serem seus colaboradores; depois, ele é quem “coopera com eles”, pois agora sua obra está nas mãos deles.

O Ressuscitado mandou os discípulos anunciar a Boa Nova e lhes prometeu forças extraordinárias para cumprirem sua missão.  Quem se empenha corpo e alma pela causa de Deus faz maravilhas, enquanto o acomodado não consegue nada. Movidos pelo amor ao Senhor, os apóstolos se jogaram na pregação, e coisas inimagináveis aconteceram. Ficamos  maravilhados ao ler de que foram capazes um José de Anchieta, uma Madre Teresa de Calcutá… A festa da Ascensão nos ensina a fazer de Jesus realmente o Senhor de nossa vida e a arriscar tudo para levar sua missão adiante – realizando o que parecia impossível. Pois ele coopera.

Coopera de modo extraordinário. Não que o extraordinário em si seja uma prova da divindade. No tempo de Moisés havia os feiticeiros do Egito e no tempo dos apóstolos, os taumaturgos judeus e pagãos. O extraordinário, de per si, é ambíguo, alimenta o sensacionalismo, o “Fantástico” na televisão etc. Ora, na pregação, o extraordinário tem valor de sinal quando mostra que o Espírito do Ressuscitado impulsiona o mensageiro, quando faz  reconhecer Jesus como o Senhor e como aquele que coopera com aqueles que estão a seu serviço – como aquele que tem força para mudar o mundo, quando os seus se empenham por isso.

Mas esse poder não serve para glória própria. Serve para o amor, para o projeto pelo qual Jesus deu a vida. Jesus não veio para conquistar o poder, mas para servir e dar a vida pela humanidade. Veio para manifestar o amor de Deus. Se manifesta o poder de Jesus-Senhor, a  evangelização deve, antes de tudo, demonstrar o amor de Jesus-Servo. O extraordinário, na evangelização, serve para manifestar que o amor de Deus, tornado visível em Jesus, tem a última palavra.

Atualizando, poderíamos considerar coisas que são, nesse sentido, extraordinárias: a transformação das estruturas de nossa sociedade, enferrujada em seu egoísmo; a vitória da justiça sobre a corrupção; a vitória da solidariedade e da dignidade humana sobre as muitas formas de vício e degeneração…

Há grupos religiosos que exibem mais “milagres” do que nós, católicos. Será que por isso devemos apostar mais nas coisas sensacionais? O extraordinário é um sinal, não a causa mesma que está em jogo. É bom ter sinais, mas o mais importante é que a causa seja apresentada na sua integridade. E essa causa é o amor de Cristo que nos impulsiona. Extraordinário mesmo é o que, nas circunstâncias mais contrárias, fala desse amor. Aí, “Ele” aparece cooperando conosco.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

MENSAGEM DE FRANCISCO DE ASSIS

 

–Fioretti Cap 16

E caminhando com o ímpeto do espírito, sem considerar caminho ou atalho, chegaram a um castelo que se chamava Savurniano. E São Francisco se pôs a pregar, e mandou primeiro que as andorinhas ficassem em silêncio enquanto ele estivesse pregando. E as andorinhas lhe obedeceram. E aí pregou com tanto fervor, que todos os homens e mulheres daquele castelo, por devoção, quiseram ir atrás dele, abandonando o castelo. Mas São Francisco não deixou, dizendo-lhes: “Não tenhais pressa e não ide embora. Eu vos ordenarei o que deveis fazer pela salvação de vossas almas”. E então pensou em fazer a Ordem terceira para a universal salvação de todos. E assim, deixando-os muito consolados e bem dispostos para a penitência, partiu daí e foi para um lugar entre Cannara e Bevagna.

 

MENSAGEM DA REGRA E DAS CONSTITUIÇÕES GERAIS

 

Capítulo II A Forma de Vida

Artigo 14

  1. Conscientes de que Deus quis fazer de todos nós um povo e de sua Igreja sacramento universal de salvação, empenhem-se os irmãos numa reflexão de fé sobre a Igreja, sobre a sua missão no mundo de hoje e sobre o papel dos leigos franciscanos nela, aceitando os desafios e assumindo as responsabilidades que esta reflexão lhes fará descobrir.

 

PARA REFLETIR

  1. Emanuel … Deus Conosco eis que estarei convosco até o fim … Como experimentamos a presença de Jesus hoje?
  1. “Sede as minhas testemunhas… até os confins da terra” …Franciscanos seculares no terceiro milênio em missão. Como e o quê fazer?

 

Oração Final
Invoquemos com alegria o Senhor, que, elevado sobre a terra, atrai a Si todas as coisas; e aclamemo-lo dizendo:
Nós Vos louvamos, Rei da eterna glória.
Senhor Jesus, Rei da glória, que, oferecido em sacrifício uma vez para sempre, subistes vencedor à direita do Pai,
— levai os homens à perfeição da santidade.
Sacerdote eterno e ministro da Nova Aliança, que viveis eternamente para interceder por nós,
— salvai o povo que Vos suplica.
Senhor, que Vos manifestastes vivo depois da vossa paixão e durante quarenta dias aparecestes aos discípulos,
— confirmai hoje a nossa fé.
Senhor, que neste dia prometestes dar aos Apóstolos o Espírito Santo, para que fossem vossas testemunhas até aos confins do mundo,
— robustecei também o nosso testemunho cristão com a força do mesmo Espírito.

Fonte: Laudes da Solenidade da Ascenção

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