Impressão das Chagas de São Francisco

No dia 17 de setembro celebra-se o recebimento das chagas por São Francisco de Assis. A solenidade conhecida como Impressão das Chagas de São Francisco abrange em sua essência o princípio da conformidade, qual seja, Francisco procurou de tal maneira desapegar-se de si mesmo para abraçar o Cristo, que se manifestou nele as marcas do seu objeto de amor: as chagas do Cristo crucificado e pobre. De tal forma se expressou Tomás de Celano, biografo medial, sobre o fato:

“Francisco já tinha morrido para o mundo, mas Cristo estava vivo nele. As delícias do mundo eram uma cruz para ele, porque levava a cruz enraizada em seu coração. Por isso fulgiam exteriormente em sua carne os estigmas, cuja raiz tinha penetrado profundamente em seu coração” (2Cel 211).

Para comemorar tal data, a Fraternidade Franciscana Secular da Imaculada Conceição irá se reunir na Igreja Porciúncula de Sant’Anna no dia 17 de setembro às 18h em celebração eucarística. A Igreja da Porciúncula de Sant’Anna fica na Avenida Roberto Silveira nº 265, Icaraí, Niterói-RJ (Telefone: 21 2711-2499).

Por sua vez, a Fraternidade Regional Sudeste II da OFS irá memorar tal episódio da mística franciscana no dia 19 de setembro, começando com um café da manhã compartilhado às 9h e posteriormente missa que ocorrerá às 10h na Igreja de São Francisco da Penitência, Largo da Carioca S/n Centro, Rio de Janeiro. Após, haverá visita guiada às dependências da antiga e secular Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.

Relato da Legenda Menor de São Boaventura – Capítulo 6

“Francisco era um fiel servidor de Cristo. Dois anos antes de sua morte, havendo iniciado um retiro de Quaresma em honra de São Miguel num monte muito alto chamado Alverne, sentiu com maior abundância do que nunca a suavidade da contemplação celeste. Transportado até Deus num fogo de amor seráfico, e transformado por uma profunda compaixão n’Aquele que, em seus extremos de amor, quis ser crucificado, orava certa manhã numa das partes do monte.

Aproximava-se a festa da Exaltação da Santa Cruz, quando ele viu descer do alto do céu, um serafim de seis asas flamejantes, o qual, num rápido vôo, chegou perto do lugar onde estava o homem de Deus. O personagem apareceu-lhe não apenas munido de asas, mas também crucificado, mãos e pés estendidos e atados a uma cruz. Duas asas elevaram-se por cima de sua cabeça, duas outras estavam abertas para o vôo, e as duas últimas cobriam-lhe o corpo.

Tal aparição deixou Francisco mergulhado num profundo êxtase, enquanto em sua alma se mesclavam a tristeza e a alegria: uma alegria transbordante ao contemplar a Cristo que se lhe manifestava de uma maneira tão milagrosa e familiar, mas ao mesmo tempo uma dor imensa, pois a visão da cruz transpassava sua alma como uma espada de dor e de compaixão.

Aquele que assim externamente aparecia o iluminava também internamente. Francisco compreendeu então que os sofrimentos da paixão de modo algum podem atingir um serafim que é um espírito imortal. Mas essa visão lhe fora concedida para lhe ensinar que não era o martírio do corpo, mas o amor a incendiar sua alma que deveria transformá-lo, tornando-o semelhante a Jesus crucificado.

Após uma conversação familiar, que nunca foi revelada aos outros, desapareceu aquela visão, deixando-lhe o coração inflamado de um ardor seráfico e imprimindo-lhe na carne a semelhança externa com o Crucificado, como a marca de um sinete deixado na cera que o calor do fogo faz derreter.

Logo começaram a aparecer em suas mãos e pés as marcas dos cravos. Via-se a cabeça desses cravos na palma da mão e no dorso dos pés; a ponta saía do outro lado. O lado direito estava marcado com uma chaga vermelha, feita por lança; da ferida corria abundante sangue. Frequentemente, molhando as roupas internas e a túnica. Fui informado disso por pessoas que viram os estigmas com os próprios olhos.

Os irmãos encarregados de lavar suas roupas, constataram com toda segurança que o servo de Deus trazia, em seu lado bem como nas mãos e pés, a marca real de sua semelhança com o Crucificado”.

Oração a São Francisco – Papa João Paulo II

Ó São Francisco, estigmatizado do Monte Alverne,

o mundo tem saudades de ti como imagem de Jesus Crucificado.

Tem necessidade do teu coração aberto para Deus e para o homem,

dos teus pés descalços e feridos,

das tuas mãos trespassadas e implorantes.

Tem saudades da tua voz fraca, mas forte pelo Evangelho.

Ajuda, Francisco, os homens de hoje a reconhecerem

o mal do pecado e a procurarem a purificação da penitência.

Ajuda-os a libertarem-se das próprias estruturas de pecado,

que oprimem a sociedade hodierna.

Reaviva na consciência dos governantes a urgência da paz

nas Nações e entre os povos.

Infunde nos jovens o teu vigor de vida, capaz de fazer frente

às insídias das múltiplas culturas da morte.

Aos ofendidos por toda espécie de maldade,

comunica, Francisco, a tua alegria de saber perdoar.

A todos os crucificados pelo sofrimento, pela fome e

pela guerra, reabre as portas da esperança. Amém.

(Em 17.09.1983, na Capela dos Estigmas – Alverne)

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