Ah, esse Francisco!

No dia 04 de outubro, dia em que festejamos São Francisco de Assis, o frei Alvaci Mendes da Cruz celebrou a missa de 12h no Santuário de São Francisco em São Paulo-SP. Na eucarística, que foi televisionada pela Rete Vida, o frade menor proclamou uma belíssima homilia a qual nos concedeu autorização de reproduzir no site de nossa fraternidade.

Confira abaixo a homilia de Frei Alvaci da Cruz, OFM:

Ah, esse Francisco!

Meus queridos amigos, amigas, paroquianos, colaboradores, devotos e devotas do pobrezinho de Assis. Mais uma vez, sejam muito bem vindos ao nosso Santuário de São Francisco, aqui no coração da cidade de São Paulo. E a todos os que nos acompanham através da Rede Vida de televisão o nosso abraço querido de Paz e Bem.

Quem participa das nossas missas aqui no Santuário, sabe que eu não gosto de fazer homilias lidas, porque creio que esta catequese que fazemos em todas as missas deve ser olho no olho, partilha de corações. Contudo, a ocasião e a solenidade deste dia, me pedem que eu fique aqui na mesa da Palavra, sem deixar com isso de tocar o coração e olhar nos olhos de cada um de vocês.

Aliás, o dia de hoje é tão especial, ao menos para mim, que sinto até um frio na barriga ao dirigir a vocês minhas palavras. Não é tão fácil falar de Francisco de Assis, porque, ao meu entender, este homem é encantador, especial, diferente de tudo e de todos que me faltariam palavras que o resumissem. Mas vou tentar, afinal de contas, sou franciscano e filho espiritual deste homem que me encanta desde pequeno.  Confesso pra vocês que sou apaixonado por Jesus Cristo, exatamente do jeitinho que nos ensinou Francisco: pobre, humilde e crucificado. Como disse Clara certa vez a Francisco: “não sigo tuas pegadas meu irmão, sigo pegadas muito maiores”. E é sobre estas pegadas muito maiores que seguimos, exatamente do jeitinho de Francisco.

Vai e reconstrói a minha Igreja, pediu o Cristo de São Damião àquele jovem empolgado pelo Evangelho. Que não demorou muito e começou a reconstruir toda uma estrutura externa e interna. Começou a criar uma igreja nova sem sair do seio da igreja mãe. É preciso enxergar com os olhos do coração para ver que sempre há possibilidade de mudança. Há sempre o que se fazer, há sempre algo para reconstruir.

Nós todos aprendemos a gostar de São Francisco ao longo de nossa vida. Encontramos vestígios dele no rosto de muitos irmãos e irmãs. Difícil dizer o que mais encanta. Tudo nele é força na fragilidade e ternura vigorosa. Por vezes, por vezes mesmo, ele nos lembra Cristo Jesus. Os dois se parecem demais.

Gostamos de vê-lo simples, despojado, caminhando pelas ruas, dizendo que o Amor não é amado. Vai gastando todas as energias para dizer a todos que será preciso mudar o coração. A impressão que se tem é que Francisco faz sua vida desenrolar-se continuamente na presença de Deus.

Gostamos de frequentar Greccio, nossa Belém franciscana, morada do primeiro presépio. Nunca ninguém soube tão bem festejar o nascimento de Deus na terra dos homens: palha, despojamento, frades encantados e extasiados, homens e mulheres com tochas acesas e Francisco, feito dançarino de Deus, cantando a glória do menino pobre, do Deus que se torna criança.

Gostamos de nos sentar contemplativamente diante da rudez e majestade do Monte Alverne, a montanha das chagas, o lugar da paixão: Frei Francisco, Frei Leão, o irmão falcão, os abismos, o verde, o serafim e as chagas de Jesus na carne de Francisco nos envolvem e nos encantam.

Gostamos de ver Francisco caminhando pelas ruas de Assis atrás do leprosos, dos mais abandonados, daqueles que não tem ninguém, dos esquecidos, fazendo-se amorosamente presente na vida das pessoas.

Gostamos de ver Francisco amansar o irmão Lobo, pregar aos pássaros, recolher o vermezinho da estrada para que não seja pisado por ninguém. Uma sensibilidade que encanta até mesmo os mais insensíveis. Gritando aos quatro ventos: Laudati Si, louvado sejas meu Senhor, por todas as tuas criaturas e nos apontando com olhar profético para o cuidado da casa comum.

Gostamos de vê-lo ultrapassar as barreiras da religião Católica, o peregrino desarmado que encontra o Sultão do Egito, que entra na casa de todos, o homem universal. Francisco humano, verdadeiro, belamente humano.

Gostamos de ver Francisco como aquele que tudo descomplica: sem preocupações mundanas, sem bens materiais, sem cultivo do ego, sem vontade de aparecer, não reclamando nada para si. Como disse certa vez o santo Papa João Paulo II: Francisco, o mundo tem saudade de ti.

Ah, esse Francisco…

A impressão que se tem é que Cristo veio outra vez viver entre nós, na delicada e vigorosa figura de Francisco de Assis!

E diria pra terminar: Gostamos de ver Francisco? Gostaríamos de ver Francisco? Ou podemos nós sermos Franciscos e Franciscas hoje?

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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