Carta aos irmãos e irmãs da Penitência

san-francesco-assisi-04

CARTA AOS FIÉIS I

(Primeira recensão)
1 (Exortação aos Irmãos e Irmãs da Penitência)
Em nome do Senhor!

CAPÍTULO I – DOS QUE FAZEM PENITÊNCIA

 

1 Quão felizes e benditos são aqueles e aquelas que amam o Senhor “de todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” (Mc 12,30) e ao próximo como a si mesmos (cf. Mt 22,39), odiando seus corpos com seus vícios e pecados, recebendo o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e produzindo frutos dignos de penitência.

2 Felizes e benditos os que assim fazem e assim perseveram , porque “sobre eles repousar o Espírito do Senhor” (Is 11,2) que neles fará morada (cf. Jo 14,23).

3 Estes são os filhos do Pai celeste (cf. Mt 5,45), fazem as obras do Pai, são esposos, irmãos e mães de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt 12,50).

4 Somos esposos, quando por virtude do Espírito Santo, a alma fiel se une a Nosso Senhor Jesus Cristo.

5 Somos Irmãos de Cristo, quando fazemos a “vontade do Pai que está nos céus” (Mt 12,50);

6 e somos Mães, quando o levamos em nosso coração e em nosso corpo (cf. 1Cor 6,20) por virtude do amor divino e de uma pura e sincera consciência;

7 nós o geramos por uma vida santa, que deve brilhar como exemplo para os outros (cf. Mt 5,16).

8 Como é glorioso, santo e sublime ter um Pai nos céus! Como é santo, consolador, belo e admirável ter um tal esposo! Como é santo e dileto, agradável, humilde, pacifico, suave, amável e sobretudo desejável ter tal Irmão e tal filho: Nosso Senhor Jesus Cristo.

9 Ele entregou sua vida pelas suas ovelhas (cf. Jo 10,15) e orou ao Pai dizendo: “Pai santo, conserva em teu nome” (Jo 17,11) “aqueles que me deste no mundo; eram teus e os deste a mim” (Jo 17,6).

10 E as “palavras que me deste, dei-as a eles; eles as aceitaram e creram na verdade, porque de ti saí e conheceram que tu me enviaste” (Jo 17,8).

11 Rogo por eles “não pelo mundo” (Jo 17,9).

12 Abençoa-os e “santifica-os” (Jo 17,17).

13 Também eu “por causa deles me santifico a mim mesmo” (Jo 17,19).

14 “Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão de crer em mim pela palavra deles” (Jo 17,20) “para que sejam santificados na união” (Jo 17,23) “assim como nós” (Jo, 17,11)
15 E quero, Pai, que “onde eu estiver, estejam eles comigo, para que vejam a minha glória” (Jo 17,24) “no teu reino” (Mt 20,21 ). Amém.

 

 

CAPÍTULO II – DOS QUE NÃO FAZEM PENITÊNCIA

16 Todos aqueles e aquelas, porém, que não fazem penitência, não recebem o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivem no vício e no pecado, no caminho da má concupiscência e dos maus desejos de sua carne, não observam o que prometeram ao Senhor, servem ao mundo com seu corpo cedendo aos desejos carnais, às solicitudes e aos cuidados deste mundo: escravos do demônio, de quem são filhos e cujas obras praticam (cf. Jo 8,41), são cegos, porque não vêem a verdadeira luz, Nosso Senhor Jesus Cristo.

17 Não possuem a sabedoria espiritual porque não possuem o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai.

18 E é deles que se diz: “Sua sabedoria foi tragada” (Sl 106,27), “malditos os que se apartam de teus mandamentos” (Sl 118,21).

19 Vêem e conhecem, sabem e fazem o mal, perdendo eles mesmos suas almas.
20 Reparai, ó cegos, enganados pelos vossos inimigos, a carne, o mundo e o demônio: é agradável ao corpo praticar o pecado e amargo servir a Deus.
21 Pois, como diz o Senhor no Evangelho (cf. Mc 7,21), todos os vícios e pecados “procedem do coração do homem”.

22 Nada tendes de bom neste mundo nem no outro.
23 E pensais fruir por muito tempo das vaidades deste mundo, mas vos enganais, porque vir o dia e a hora na qual não pensais, e que ignorais completamente.

24 Adoece o corpo, a morte chega e deste modo morre na amargura da morte.

25 0nde, quando e como quer que um homem venha a morrer em pecado mortal, sem penitência e satisfação, se pode satisfazer e não satisfaz, o demônio lhe arranca a alma do corpo sob tal angústia e tribulação, que ninguém pode saber a não ser quem o experimenta em si mesmo.

26 Todos os talentos, todo poder, toda “ciência e sabedoria” (2Cr 1,12) que julgavam possuir “ser-lhes-ão tirados” (cf. Lc 8,18; Mc 4,25).

27 Deixam seus bens aos parentes e amigos.

28 Estes se apossam deles e os distribuem entre si e depois dizem: “Maldita seja sua alma, porque ela poderia ter dado e ganho para nós muito mais e não o fez”.
29 Os vermes devoram o corpo.

30 Desta forma perdem tais homens o corpo e a alma neste breve século, indo para o inferno, onde serão atormentados por toda a eternidade.

31 A todos que receberem esta carta, rogamos na caridade, que é Deus (cf. lJo 4,16), que acolham benignamente, com divino amor, estas odoríferas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo.

32 E os que não sabem ler façam-nas ler com freqüência por outros, tenham-nas consigo e as ponham em prática numa vida santa até ao fim, pois “são espírito e vida” (Jo 6,63).

33 E aqueles que as não observarem terão de “dar contas delas no dia do último juízo” (Mt 12,26), “diante do tribunal de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 14,10).

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