Santa Isabel, Rainha da Hungria

Sta Isabel da Hungria OFS

O título de santo denota que, além de grande caráter, a pessoa assim intitulada está na graça de Deus ou, ainda, desempenhou uma obra admirável. Pessoas reconhecidas por virtudes especiais podem receber esse título.

A Hungria, país situado na Europa Central, deu à Igreja numerosos Santos, de todas as camadas sociais. É o único país que tem a glória de venerar sobre os altares três de seus Reis: Santo Estevão, Santo Américo e São Ladislau. Mas Santa Isabel é, sem dúvida, a mais venerada pelo povo húngaro.

Ela não foi uma figura isolada em seu tempo, plena Idade Média, a Doce Primavera da Fé. Era sobrinha de Santa Edwiges, Duquesa da Polônia, e tia da suave Santa Isabel, Rainha de Portugal. Com as graças que alcançou do Céu, e o exemplo de sua vida, obteve a conversão dos dois cunhados.

Desde muito pequena e ainda sem saber ler, Isabel pegava o grande livro dos Salmos e passava grande parte de seu tempo na capela, rezando. Frequentemente chamava suas amiguinhas para fazer o mesmo e, quando o lugar de oração estava fechado, beijava-lhe a porta, a fechadura, as paredes, pois, dizia ela, “Deus lá dentro repousa”.

Aos 13 anos de idade, realizou-se seu casamento com o poderoso e não menos piedoso Duque Luiz da Turíngia, ao qual havia sido prometida desde tenra infância. Em sua curta existência – faleceu aos 24 anos –, Isabel não perdeu oportunidade de fazer o bem.

Santa Isabel fazia bom uso da imensa riqueza de seu esposo, distribuindo aos pobres generosas esmolas. Isto causava profunda irritação a muitas pessoas da corte, sobretudo aos seus dois cunhados, Henrique e Conrado. Acusando-a de estar “dilapidando o patrimônio familiar”, estes não perdiam oportunidade de tentar fazer-lhe mal. E ela, por sua vez, não se contentava em simplesmente dar moedas ou alimentos. Seu amor a Deus a levava a ações muito mais generosas.

Uma dessas ações ocorreu quando, certa vez, um leproso pedia esmola na porta do castelo. A jovem Duquesa desceu até lá, levou-o até seu quarto e o fez deitar-se na cama do casal. Após tratar de suas chagas, deixou-o repousando, coberto com um lençol. Certamente um escândalo! Não faltou quem às pressas fosse chamar o Duque Luiz. Ao chegar, este encontrou Isabel radiante de felicidade. Confiante em que seu esposo aprovaria esse heroico ato de caridade, ela narrou-lhe o fato e disse: – Ide ao quarto ver.

Ao chegar ao quarto, uma maravilhosa surpresa o esperava: levantando o lençol, ele viu, não um leproso, mas Nosso Senhor Jesus Cristo! Este deixou-se contemplar por um instante apenas, o suficiente para confirmar naquelas duas almas a certeza de estarem no bom caminho.

Além desse episódio, muitos outros momentos de autêntica piedade e generosidade se seguiram: abriu os celeiros do castelo para alimentar os famintos durante a terrível fome que assolou toda a Alemanha, no ano de 1226; fundou três hospitais para auxiliar os doentes: um para mulheres pobres, outro só para crianças, e um terceiro para todos em geral – onde havia um agonizante, lá estava ela, a fim de ajudá-lo a morrer bem -; passou longo tempo em oração pelas almas dos falecidos, muitos dos quais enterrou com suas próprias mãos, envoltos em toalhas tecidas por ela mesma.

Vários também foram os seus sofrimentos: a separação do marido quando este partiu para a Cruzada, em 1227; o falecimento deste antes mesmo de chegar à Terra Santa; após a viuvez, a expulsão do castelo, pelos cunhados, sob um frio muito rigoroso, com os quatro filhos pequenos, sem levar qualquer dinheiro, agasalho ou alimento.

Apesar de tudo isso, Isabel nunca desanimou, dava graças a Nosso Senhor Jesus Cristo por poder participar de seus sofrimentos.

Além de ver em vida o próprio Cristo, a santa realizou milagres e sua fama de santidade se espalhou. Em consequência, aumentou o número dos que a ela recorriam. E Deus dignava-Se de, por sua intercessão, atender a todos.

Santa Isabel de Hungria e o franciscanismo

elizabethApós a morte do marido, Isabel, por sua devoção a nosso Senhor, poderia ter entrado em qualquer ordem religiosa. Porém, recusou aos convites que teve, pois sua vida, assim como a de Francisco, seria voltada a permanecer junto ao povo, identificando-se com os excluídos e ficando próxima daqueles que sofriam. Isabel deixaria sua nobreza de lado, e entregar-se-ia a Deus Pai, no abandono e na pobreza, na alegria e no sofrimento.

Desde o século XIII, a Família Franciscana a considera como um dos seus membros mais destacados, mas é a Terceira Ordem Franciscana, a Regular e a Secular, que a têm como Padroeira, principalmente por seus principais carismas, a conversão evangélica e as obras de misericórdia, fato esse comprovado ao longo do tempo, por diversas obras artísticas e extensa literatura especializada.

Assim, despojada dos bens materiais, e, até do amor maternal pelos filhos, suportando insultos, daqueles que a consideravam louca, Isabel tornou realidade, a perfeita alegria ensinada por Francisco na tribulação, na solidão e na dor.

No dia 16 de novembro de 1231, a Santa adoeceu. Após receber a unção dos enfermos e o viático, Nosso Senhor lhe apareceu e revelou-lhe que dentro de três dias viria levá-la para o Céu. Depois desta visão, seu rosto ficou tão resplandecente que era quase impossível fixar-lhe os olhos.

Ao primeiro canto do galo do dia 19, ela disse: “Eis a hora em que Jesus nasceu de Maria Virgem. Que galo imponente e lindo seria aquele, o primeiro a cantar naquela noite maravilhosa! Ó Jesus, que resgatastes o mundo, que resgatastes a mim!” Depois acrescentou: “Ó Maria, ó Mãe, vinde em meu socorro!”

Em seguida, disse baixinho: “Silêncio… Silêncio!…” E deixou pender a cabeça, como se dormisse. Sua alma acabava de entrar na glória celeste.

Para satisfazer a devoção do povo que afluía de toda parte, seu santo corpo permaneceu exposto na igreja durante quatro dias. Muitíssimos milagres atestaram a sua santidade. Foi solenemente canonizada em 1235 pelo Papa Gregório IX.

 

Por: Marcos André, 2º ano de formação – OFS

Fonte: (Antonio Queiroz; Revista Arautos do Evangelho, Nov/2004, n. 35, p. 22 à 25)

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